sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Lendas

“Olhai, olhai, criaturas felpudas!
Estamos ricos em ouro e alimentos,
Podeis fugir p’ra vossas damas peludas,
Porque não sairemos por suprimentos!
Por isso, escusais de ficar sentados
Que nem quaisquer camelos desolhados,
Saí das portas mestras como rebanho
E aproveitai a chuva p’ra vosso banho.”.

A Padeira de Aljubarrota era o máximo.

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

18.

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.

Que és um dia de Verão não sei se diga.
És mais suave e tens formosura:
vento agreste botões frágeis fustiga
em Maio e um Verão a prazo pouco dura.
O olho do céu vezes sem conta abrasa,
outras a tez dourada lhe escurece,
todo o belo do belo se desfasa,
por caso ou pelo curso a que obedece
da Natura; mas teu eterno Verão
nem murcha, nem te tira teus pertences,
nem a morte te torna assombração
quando o tempo em eternas linhas vences:
enquanto alguém respire ou possa ver
e viva isto e a ti faça viver.

Soneto 18, Os Sonetos de Shakespeare
Dedicado a MJ

De notar que Os Sonetos de Shakespeare são uma obra geradora de controvérsia, uma vez que uma das teorias que se consideram mais aprazíveis sobre os Sonetos é a de que o Sr. W. H., a pessoa a quem os poemas são dedicados, segundo as supostas palavras do editor T.T. - Thomas Thorpe, seria a paixão secreta de Shakespeare e até um dos actores da sua companhia a operar no Teatro de Outdoor - The Globe, de nome William Hughes (Willie Hews, na grafia isabelina). Sobre este último ponto, é aconselhável a leitura de O Retrato do Sr. W. H., onde Oscar Wilde expõe a sua teoria sobre o alvo da dedicatória.
Contudo, o amor que na verdade se impõe é o de amigo para amigo, pondo de lado a natureza sexual da coisa. É um conceito já proveniente de tempos mais antigos do que o século XVI-XVII, época em que os poemas surgiram. Já os poemas homéricos, do séc. VIII a.C., retratavam esta situação.

Portugal e as Fitas de 16mm

Nunca me deparei com semelhante ultraje em toda a minha vida. Este país é de tal forma imbecil, estúpido e atrasado mental que quase que me dá nojo de viver aqui.
Estes pseudo-técnicos azeiteiros estudantes de Cinema são absolutamente incríveis. Julgam possuir um grande peito repleto de arte e saber, quando são a coisa mais incrivelmente absurda a caminhar sobre esta terra.
A estratégia é muito simples: desenvolvem um projecto com guidelines fornecidas pelo professor responsável, pegam numa câmara para fazer uma maquete e lançam o casting ao público, com o intuito de se fazerem libertinos e democráticos, após terem dactilografado uma história sem qualquer pé ou cabeça.
O actor que está em formação numa escola específica para tal fica a saber do casting, interessa-se por ele, uma vez que pretende juntar mais um nome de um filme à secção de Cinema do seu curriculum vitae, e parte em direcção ao Campo Grande na sua viatura, nada mais, nada menos, para perder o seu tempo e o seu gasóleo.
O objectivo dos pseudo-realizadores, produtores e etc.? Obter um número algo considerável de pessoas que preencheram as fichas de inscrição para o professor responsável estar de cu aberto a presentear os seus alunos com elogios.
Entra, portanto, o interessado num estúdio de duvidosas condições, depois de ser chamado. A equipa apresenta-se, diz o que pretende, e o interessado lê com eles um excerto do texto. No final, depois de concluída esta árdua tarefa, o interessado é convidado a improvisar para um bando de idiotas que designei no início do parágrafo como sendo a "equipa". Até parece que eles, artistas de valiosíssima qualidade, têm noção do que é saber representar. Tendo mesmo a dizer que parece que o interessado está a passar de novo por uma prova de admissão em que a sua capacidade de improviso é avaliada. A questão é que, nesse tipo de provas, os avaliadores sabem efectivamente o que estão a pedir não é caso deste pessoal.
No final, dão a entender com um ligeiro aceno de cabeça e um sorriso algo retorcido que o candidato interessado tem alguma hipótese.
Mas mais fantástico do que isto é o candidato realizar o casting em conjunto com outras pessoas, o que é absolutamente extraordinário, faltando-lhe apenas o prefixo (extra-). O interessado é questionado sobre a sua formação, algo que é completamente irrelevante para o assunto em questão, e é seguidamente questionado uma vez mais, relativamente à personagem que sente que seria capaz de desempenhar. É fantástico que consiga dizer "todas", porque significa que o actor é polivalente e consegue fazer tudo e mais alguma coisa. Segue-se, portanto, uma leitura expressiva, tal como se pretendia, do texto. Enquanto isto acontece, os adversários que entraram em conjunto o candidato não podem dar largas à sua inspiração, porque estão bloqueados. Se, por ventura, forem a ler de uma forma parecida à da primeira pessoa, são imediatamente rotulados como imitadores sem qualquer imaginação. E ainda enquanto isto sucede, são todos filmados de diversos ângulos para ver qual é que tem o nariz mais bonito para figurar à frente de uma objectiva.
No final, os candidatos saem todos contentes e confiantes para, meses mais tarde, virem a descobrir que perderam o seu tempo, o seu combustível, o seu dinheiro e a sua paciência, porque os escolhidos para as curtas-metragens para as quais realizaram o casting são pessoas com uma imagem e um nome já construídos e conhecidos do grande público.
Ora, com tanto filho da puta assim, mais vale vaguear por outros lados em que a capacidade de representação seja valorizada e em que a oportunidade de novos talentos possa surgir livremente, sem a preocupação do envio de uma foto de rosto e de corpo.
Três vivas a este país de hipócritas e retardados!
Hip, hip, horray!
Hip, hip, horray!
Hip, hip, horray!

sábado, 1 de Agosto de 2009

Long Time, No See

Much has happened since the beggining of the world. One's life, as short as it might yet be, can never avoid the dances they are forced to.
The human being may travel a lot through the evil landlord's land, but it will always come back, unless it has psichological issues, associated to brain malfunction. Ups and downs can easily get to you if you lend yourself too much. Don't do it. It's not worth it. Just do this: take care of your friends, make new ones, don't forget to water their roots and let life happen like it should, in its own natural course. You won't regret it. Consider these statements as words of advice, and you'll live happily.
See you around.

sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Antropomorfose

Acabei de me transformar num novo homem (sim, sou maior de 18 anos, com barba mal semeada e carta de condução de automóveis ligeiros, por isso não me venham com tretas) e não foi à custa do Cipralex 20, o meu querido anti-depressivo. E agora que chegaram a esta parte, perguntam-se: 'mas ele anda a tomar anti-depressivos'? É, tenho de continuar a tomá-los por mais meio ano, antes que entre em recaída. Isto da vida mudar a determinada altura choca-nos, de uma maneira ou outra. Depende da fraqueza que nos constitui. Neste ponto, sim, chegamos ao assunto concreto desta mensagem ou post, como quiserem. Vou deixar-me de ceninhas. Vou deixar de ser coitadinho, e passar a dar valor àquilo que realmente importa. Daqui por umas horas vou comprar óculos de sol novos, mais escuros do que aqueles que tenho, para deixar de franzir os olhos sempre que vou ao volante, antes que me espete! Não, vá. Não é caso para tanto. Já tenho quase um ano daquilo e tenho uma destreza do caraças (não sejamos cínicos, então).
Há que dar valor à vida! Há que fazer ribombar o trovão da energia que Zeus nos confere e ter a astúcia de um Ulisses, de um Orestes, de quem quiserem! O Diónisos agora sou eu! Eu é que mando! Não vou voltar a andar atrás de vocês que nem um cão farejador! I AM THE BOSS! Eu é que controlo isto tudo! Não tentes dar-me baile, que não consegues! Vou provar a este mundo que eu consigo ultrapassar toda e qualquer crise! O gasóleo está a menos de 90 cêntimos na EcoBrent de Massamá, minha gente! Isto é um ânimo! Londres e Hollywood Blvd. Esperam por mim! Eu não sou de 2.ª categoria! E isto não é excesso de confiança. É uma certeza que mantém o meu coração sob controlo! Não és tu que me espezinhas! Tu não vales nada, NADA! Quem fica a perder és tu, não sou eu, porque somar 0 a 200 é-me igual! Eu vou conseguir! Podem ter a certeza disso!
Amigos, juntem-se! Façam festas! Comemorem! Não precisam de motivos especiais! Comemorem o facto de estarem vivos e de saúde! Amem até dizer chega! Melhor! Não chega, coisa nenhuma! Vocês é que sabem se chega! Não vou andar mais atrás de vocês, não pensem!

EU SOU QUEM SOU, BEBÉ! OU ME ACEITAS ASSIM, OU PODES DAR MEIA VOLTA E PASSEAR!

Post Scriptum: A ti, Bright Eyes, prometo-te isto: nunca mais te abandono. Sempre presente aqui <3, em qualquer instante.

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Apologia


segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Lições de Vida

Talvez esteja a ser presunçoso ao dizer isto, mas também tanta gente me acha presunçoso que mais vale o ser de vez: Posso só ter vivido 18 anos, mas foram 18 anos recheados de todo o tipo de experiências... desde aquelas que nunca deveriam existir e pelas quais ninguém devia passar, até a outras que transcendem a felicidade dos mortais...
E durante estes longos 18 anos já aprendi muita coisa da pior forma possível, por isso perdoem-me se acham que estou aqui a fazer um papel moralista ou de pseudo-sábio, mas acho que posso partilhar algo com vocês que interessa.
De tantas vezes bater com a cabeça na parede, de tantas vezes errar e magoar pessoas, na maioria das vezes pessoas que nunca o mereceriam, aprendi a estar mais atento com o que está exactamente à minha frente, já que isso é o que é mais difícil de prestar atenção. Temos constantemente a cabeça focada 10 passos à frente, mas esquecemo-nos que, tal como o cliché diz, temos de dar um passo de cada vez... O ser humano tem tanta ânsia pela busca da felicidade e pela procura da realização total que se perde nessa gula, nessa vontade exacerbada. É assim, eu já passei por isso... E ao fazê-lo atropelei muita gente, inclusive a mim próprio!
Não estou aqui para pedir desculpas a ninguém, nunca me arrependi de nada que fiz, apenas me arrependo do que deixei de fazer, mas o significado que tudo tem para mim é que tudo leva a algum sítio... Todos os nossos actos são seguidos de consequências e a vida baseia-se neste ciclo, nesta bola de neve, na qual às vezes perdemos a noção de quem conduz quem... se somos nos que conduzimos a vida ou se é ela que nos empurra para onde bem lhe apetece.
O que aprendi foi que, antes de tudo, temos de perceber o que realmente queremos... A vontade é muita, mas às vezes não passa de um capricho, disfarçado de certezas...
Temos de saber exactamente o que queremos e agir de acordo com isso, sem nunca desviar o olhar. Desta forma, não somos nós que conduzimos a vida, nem é ela que nos empurra... É tudo um processo fluido, como um riacho que naturalmente nasce, naturalmente cresce e se torna num rio, corpolento, cheio, forte, e naturalmente morre no mar.
Foi isto que percebi...até agora.


Eu sei o que quero!