domingo, 26 de agosto de 2007

Porque não?

Porque é que te sinto tanto? Porque é que te sinto a massajares o meu coração, de forma a que o pobre coitado continue a bater ao compasso que tu desejas? Porque é que não te posso sentir aqui? Porque é que não posso fazer a vontade aos meus sentidos? Porque é que não te posso tocar, cheirar, ver...beijar?
Só me resta continuar nesta travessia descompassada...Apenas posso continuar a atravessar esta ponte, até chegar à liberdade! Usufruirei essa liberdade contigo, quero acreditar nisso!
Quero estar contigo! É tão injusto...Nunca fui assim, nunca estive assim, nunca sofri desta forma... Agora que olho para trás até me rio dos meus "pseudo-problemas", das crises inventadas quase! Agora sim encontro-me num dilema! Amo e sou amado, mas a geografia trai-me!
Por agora contento-me em imaginar-te aqui, com o teu cheiro a jasmim misturado com tabaco, a tua beleza angelical, temperada com umas pitadas de sal e pimenta. O teu toque de seda e veludo, a tua pele reluzente. O teu belo corpo, espantosamente bem torneado...
E eu, mesmo tendo apenas uma imagem tua aqui diante de mim, uma imagem fruto da minha cabeça, entrego-me por completo qual miudinho com uma paixoneta por uma colega de turma.
Mas mesmo assim sinto-me bem, fazes-me sentir muito bem! É isso o mais espantoso em ti, a forma como me fazes sentir: orgulhoso e até vaidoso quando dizes que gostas de mim, com esse teu paradoxo de varina linda; amedrontado e nervoso quando me fazes pensar que te aborreci por seja que razão for; enamorado por completo, porque a paixão desvanece-se e apaixonado é pouco. Sinto-me apaixonado, mas mais do que isso: enamorado mesmo, pois sei que o que sinto é algo para durar.
Não te peço nada, nao tenho esse direito, muito menos essa ousadia, apenas constato um facto: rebento de sentimentos por ti, e mesmo que por alguma partida da vida eles deixarem de ser correspondidos, sei que não será tão cedo que eles explodirão e se dissiparão na nuvem espessa de fumo...

Gosto de Ti *

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Venha A Brisa, Pá!

Vai-te embora, calor, para dar lugar a algo mais fresco, como a Primavera!
Porquê tanta ameaça de falta de ar e de chamas eminentes? Será que não
vês que temos outras coisas com que nos preocuparmos, velho predador?! Há
que tempos que anseio que depressa e sem vestígios se acabe esta estação
que só sabe é matar, consumir! Vida e subsistência, até ao tutano...! E mais!
Com a tua pseudo-vingança, como és capaz de atacar a paisagem tão linda,
tão verde, tão castanha, tão vermelha, tão amarela, tão branca... é a mais
floreada que poderás encontrar, seu inútil e sacrificante camafeu! É bela,
ouviste?! Pára com os teus abusos incessantes, criatura manhosa! Mais
queres ouvir? Com que então não te chega, hein? A tua ventosidade é pura...
Não irei gastar mais palavras com a tua personalidade insolente, não quero!
Vou só, meus caros, dizer-lhe que se amanhe, porque não é invencível, dizer-lhe
mais duas ou três palavras para que se cuide e que desapareça daqui, que...
Vou estar de olho em ti! A mim não me metes medo! Vejo-te desalmado e a
andar, em breve para ser caçado por alguém que te faça chamar-lhe amo
e que te prenda num guarda-fatos como a um par de sapatos, e que para
nunca saias de lá, amarrar-te-á como a um asno perturbado e louco, sempre!
Ou julgas que terás hipótese de escapar, doninha? O que queres que aconteça
não voltará jamais a perturbar a paz dos inocentes, não! A loucura fará de ti o
maior falhado de sempre, que nunca foi capaz de continuar o tumulto que
ansiava poder continuar a gerar, sacrificando mais pessoas, vendo a acontecer
a maior das catástrofes enquanto se vangloriava na sua cadeira, ardentemente,
enquanto espreitava a floresta daquela maneira... eh... ah! Fogosamente
confortado, por ter obtido mais um dia de destruição, incondicionalmente...
A minha história já mete nojo e já a estou a deitar pelos olhos, loucamente!
Aquilo que escrevia há muito tempo atrás, ao que hoje chamamos no passado,
comparando com aquilo que escrevo agora, neste momento, no presente,
e que possivelmente escreverei mais tarde, ao que chamarmos no futuro...
Bem! Não me resta senão queimar tudo e deitar os restos fora numa pia minha!
Cansado já estou de querer escrever um artigo que não me parece nada bom, e
que não me parece que vá atrair as atenções de ninguém... quero é que vão
todos passear e curtir o Verão, senão mesmo tantos outros, digamos uns 5!

domingo, 22 de julho de 2007

Os B's Pelos B's

Na sarjeta... É onde me encontro... Mas o que é que isso interessa? Sinto-me um rei! E porquê? Fiz-te rir. O causador do teu riso fui eu, através de um trocadilho parvo ou de uma boca perspicaz, catalizadora de uma reacção em cadeia. No entanto, eu só ouvi o teu riso, eu so vi o teu sorriso. De que interessam os outros? A alguém é certo, a outrém, melhor dizendo. Sinto-me uma criancinha com uma paixoneta pela professora... Sinto-me um falhado, perdido de amores pela deusa do prédio... Sinto-me mal...porque neste momento o teu cheiro a camomila não invade as minhas narinas, embriagando-me, seduzindo-me pouco a pouco, de uma forma tão inocente, que se torna preversa! Prevertida! Suja! Doce! Que prazer...toquei-te... Ao de leve...a tua pele roçou a minha, arrepiaste-me, sorriste para mim...apenas uma pequena elevação no lábio, um olhar sensual, no canto da vista...e depois tiraste o olhar de mim, e voltaste-te para outra pessoa qualquer, nem me lembro quem, num sinal de desprezo falso. Dás-me a entender que me queres, mas que tenho de trabalhar para isso... Fazes-me crer que és fácil... Mas quando me entrego por completo e deixo-me cair, esperando que me segures, tiras as mãos e deixas-me estatelar no chão, que nem uma folha seca se estatela no Outono. No entanto, eu troco a suave queda, por uma abrupta e voraz e... ...Sedenta de almas, é como eu te vejo. Sedenta de uma alma para colher, cortar o caule bem juntinho ao chão, e manusear com cuidado, para não dobrar nenhuma folha. Porém tu...tu esqueces o cuidado, e atiras-te de cabeça para os meus braços, não te preocupas com a poda cuidada e exacta... Vais directa para o prazer que és capaz de retirar do perfume desta humilde alma, ludibriada pelos teus encantos, que já não é capaz de fazer sentido... O que me custa nisto tudo... O que mais me dói não é a constatação de mais uma mão cheia de sentimentos atirados pela janela, à sorte do vento, esse sábio viajante... O que mais me vai marcar é a crueldade da vida: acena vigorosamente, saudando-me, enquanto segura na mão um punhado de felicidade! Mas à medida que me aproximo, à medida que me entrego a este aceno, a esta saudação... À medida que me solto de todos os grilhões (toda a consciência, todo o raciocínio, toda a razão e sentido), a vida vai abrindo devagarinho a sua mão delicada, e deixa escorrer cada pedacinho de felicidade... Até que ela toda se esparrama no chão, mesmo no momento em que alcanço o aceno. De qualquer forma, vou guardar a memória esperançosa daquele aceno interminável, infindável, abrilhantado pelo punhado de felicidade...Uma felicidade total e completa e duradoura e linda e bela... E agora volto a rastejar para a minha sarjeta, aquecida pela imagem do teu sorriso... Volto a subjulgar a minha imaginação à realidade.

sábado, 14 de julho de 2007

O Tapete

Sabem aquelas pessoas que vos maravilham logo nos primeiros minutos? Com aquela frase perspicaz, ou aquela piada sarcástica linda, totalmente propositada e extremamente inteligente? Estes pequenos momentos maravilham-me por completo, e fazem de mim um puto a passar pelas montras de brinquedos... Fantasiando histórias de aventura com os bonecos.
Ora...penso que algo assim me aconteceu... Acho que fui arrebatado... Puxaram-me o tapete por baixo dos pés e bati com a cabeça no pavimento de pedra, duro e frio, que é a realidade.
A metáfora vem bem a propósito, pois quando nos puxam o tapete, ao início pensamos que isto é uma má ideia e que nunca devia ter acontecido pois nos vamos magoar... Mas por momentos chegamos a disfrutar da viagem, do pseudo-voo... Até que ele acaba com uma pancada brutal no chão, abanando cada neurónio que armazenamos dentro do nosso cérebro.
No entanto, mesmo ficando com uma dor de cabeça monumental, até nem ficamos muito arrependidos, pois a verdade seja dita... Gostámos daqueles breves segundos em que quase voámos. E apenas por eles...voltamos a tentar novamente.
Portanto admito: fui maravilhado. tenho um novo brilhozinho nos olhos... Mas não vou fazer nada dele... Conheço-me bem por demais para saber que isto não passa de um capricho, que não é mais do que uma simples reacção do vício: O vício da companhia... Sou viciado em companhia e tremo só de pensar na ideia da solidão. Solidão em termos amorosos, isto é, já que da solidão meramente temporal nada temo, até a abraço.
Mas continuo a preconizar o desejo que todas as pessoas sentem por aqueles simples segundos "pseudo-voadores" que acabam em tragédia pela certa.


Porém, não me meterei em mais pseudo-voos nenhuns, visto que a minha cabeça já tem galos suficientes, suficientemente graves para eu ter aprendido a minha lição: nunca pôr um tapete por cima de chão acabado de encerar.

domingo, 8 de julho de 2007

Seres Culturais

Ora então, olá, viva a todos os assíduos, menos regulares e virginais leitores!

Este "comunicado" que vos faço é fruto de um enorme orgulho que brota da minha pessoa!

Ao longo dos anos, há incríveis mudanças que acontecem em todos nós, embora umas sejam mais negativas (como troca de saquinhos de chá com a marca "Erva Pura", desejos de manipulação da vida dos outros ou afastamento geral da população activa) e outras muito mais positivas (como o ingresso em actividades culturais que visam estimular o gosto, no indivíduo, pelas Belas-Artes).

E é pegando neste último e literal parêntesis que me sinto à vontade para poder dizer que essas mudanças em mim próprio se verificaram, para além de serem igualmente verificáveis em determinadas pessoas que me rodeiam.

No campo da Arte de Representação, no qual destacamos o ramo bilateral Expressão Dramática/Teatro, houve acontecimentos que marcarão toda uma vida! Num Grupo de Teatro, tudo e mais alguma coisa acontece. É, geralmente, nestas instituições que conhecemos muitas pessoas importantes no nosso quotidiano, já que é aí que se tornam nossas amigas. Trocam-se mails, trocam-se números de telemóvel, e cria-se uma densa rede de comunicações permanentes, que podem ter bastante boas repercussões e, quem sabe, se não mesmo aquelas que nunca imaginaríamos que fossem possíveis de acontecer!
Ao longo do nosso percurso, desenvolvemos várias áreas científico-físico-químicas como, por exemplo, a Voz, o Corpo e a Mente, através da Imaginação/Improvisação - "mente sã, corpo são". O resultado do trabalho é a apresentação de um espectáculo onde se evidenciem todas as aprendizagens adquiridas ao longo do tempo, com a aceitação estrondosa por parte do público...

O Cinema também dá que falar, quando, algures, somos reconhecidos por uma comunidade bastante alargada e vemos o nosso trabalho bastante apreciado.

A Música está cada vez mais a disparar na sua popularidade e êxito e, a isso, fazemos um brinde!

É bom saber que nos estamos a tornar cada vez mais em maiores e melhores seres culturais do que aquilo que éramos, ligados às Belas-Artes, como pessoas de olhos bonitos por comerem muitas cenourinhas.
Fica uma prova de êxito de cada uma das Artes aqui faladas: Teatro, Cinema e Música.


"A Comédia de Rubena", de Gil Vicente




"Auani"


"Querido Carlos Alberto", a curta-metragem dos alunos finalistas do curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema, do ano lectivo 2005/2006



Os Pontos Negros

O Novo EP foi lançado dia 07/07/07, às 22h, no Lounge Bar

sábado, 23 de junho de 2007

À Procura da Perdição Total, Ou...

Desamparado... Sinto-me perdido no meio de uma multidão imensa, repleta de pessoas com as suas vidas, os seus problemas, as suas catástrofes, as suas alegrias, os seus sonhos... 6 biliões de pessoas que se acotovelam neste ciclo cruel a que chamamos vida...a este ciclo irónico e fantástico que nós já damos por garantido.
A vida toda ela é mágica, é mística mesmo. Talvez seja por isso que eu não me atormento muito com as grandes perguntas sobre a vida... Até porque as explicações científicas são tacanhas demais...não me satisfazem... Não consigo acreditar que todo este ciclo tenha sido iniciado com um bang...e todo o resto seja apenas uma série de eventos que se sucederam, uns causa dos outros...e assim sucessivamente. É simples demais (não querendo estupidificar os cientistas), sem sentimentos adicionados à mistela...sem essas perturbações neste ciclo científico tão perfeito...sem eles tudo seria tão simples, racional e exacto. Quase matemático...
Se calhar é por isso que nunca gostei da matemática. Não gosto de o admitir, mas acho que sou um romântico sem salvação. Digo que não gosto de o admitir porque tenho pavor de cair no romantismo pateta: uma serenata desafinada, a uma donzela que se inclina de uma varanda, e o galã, vestido a rigor, de flores em punho, faz pela sua vida, faz pelo seu amor.
Mas dêem-me uma serenata cliché como essa, dêem-me aquele momento que antecede o primeiro beijo, aquele centímetro que separa os lábios de dois apaixonados que, pela primeira vez, estão prestes a contemplar a total felicidade, toda compartimentada num minuto ínfimo. Esse momento de perfeita harmonia entre dois seres humanos diferentes, ambos aquecidos pelo mesmo sentimento. E que sentimento...
É essa a causa da maioria do sofrimento humano...e é essa a ironia máxima da vida: pois não só causa o sofrimento, como o abafa numa rejubilação completa! Essa coisa a que chamamos amor, que ninguém conseguiu explicar ou definir concrectamente, nem um dicionário:
"do Lat. amore

s. m.,
viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objecto da nossa afeição;
paixão;
afecto;
inclinação exclusiva;

ant.,
graça, mercê.
com -: com muito gosto, com zelo;
fazer -: ter relações sexuais;

loc. prep.,
por - de: por causa de;
por - de Deus: por caridade;
ter - à pele: ser prudente, não arriscar a vida;
- captativo:vd. amor possessivo;
- conjugal: amor pelo qual as pessoas se unem pelas leis do matrimónio;
- oblativo: amor dedicado a outrem;
- platónico: intensa afeição que não inclui sentimentos carnais;
- possessivo: amor que leva a subjugar e monopolizar a pessoa que se ama; o m. q. amor captativo."

No entanto, e agora a ironia final apresenta-se ao fiel leitor da vida, ao fiel espectador deste drama cinematográfico em tempo real... No entanto, todos nós, sem qualquer excepção, nalguma altura da nossa vida, acabamos, eventualmente, por procurar este sentimento noutra pessoa. Mesmo sem o compreender, mesmo temendo-o por vezes, todo o ser humano, mais tarde ou mais cedo, quer se sentir impelido para o objecto dos seus desejos, anseia por essa inclinação da alma e do coração... Seja platónico ou puramente carnal, o ser humano, mesmo estando totalmente às escuras, lá vai palpeando o caminho por entre obstáculos ocultos até encontrar, depois de dar muitos trambolhões, a pessoa que se destaca numa multidão. Aquela uma pessoa que ilumina o ambiente duma sala. Aquele único ser vivo, que para o resto da maralha não passa de outro, mas para nós é aquele...E todos os outros passam para segundo plano. É aquele, ou aquela, que realmente interessam. E quando nos apercebemos que não podemos tocar na pele dela, acariciar cada curva da sua figura; quando a realidade nos prega uma valente estalada com a noção de não podermos passar horas e horas a falar sobre coisas pequeníssimas, só no intuito de ouvirmos a voz dela... Quando tal acontece mergulhamos num estado de total desespero. E mesmo nesse estado, há aquela luz dentro de nós, pois sabemos finalmente do que se trata, esta coisa do amor...
Portanto...todo o ser humano procura e deseja a sua perdição total, ou a perfeita inteireza da felicidade.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Algemado

Sinto-me como um toxicodependente. Sinto-me como um recluso. Sinto-me como um alcoólico. Sinto-me como um fumador. Sinto-me algemado.
Estou algemado. Penso que sou livre. Não sou. A liberdade é o ideal que mais prezo. Não me é nada mais do que uma utopia.
Tenho o coração a ferver. Ferve positivamente, mas também ferve negativamente. Sinto lágrimas de sangue a escorrer-me rosto abaixo. Sangue queimado, proveniente de defesas frágeis.
Sou fraco. Não tenho força física. Não tenho força emocional. Quero fugir!
Não posso. Não, ainda não. Mas quero. Só me abandono em sonhos. Aí, sinto-me etéreo. Na realidade, não sou.
A realidade torna-se um pesadelo. Não consigo escapar. Não consigo respirar.
Não respondo às minhas questões, não expresso a minha vontade, não posso deixar de admitir "coisas", não posso ripostar, não posso ser eu.
Pintam-me. Borram a pintura. Sinto-me picado, provocado. Não sou um borrão. Sou uma tela branca, salpicada de trevas.
Se sou salpicado, a minha tela torna-se vermelha.
Sinto-me irado. Sinto-me enervado. Sinto-me irritado. Sinto-me desaconchegado. Sinto-me bruto. Sinto-me estúpido. Sou de novo algemado. Sou de novo consumido... constantemente, frequentemente, ordinariamente... Sinto-me extraordinário, sem extra.
Não sei o que fazer. Desabafo, mas escondo. Solto "desabafos mudos". Oprimo, reprimo, censuro, retenho, contenho, detenho... -me.
Quero sair daqui. Quero partir. Não quero ir só. Mas quero deixar todos os outros. Sou mal-agradecido. No futuro, verei. Arrepender-me-ei... Será?! Não.
Estou algemado. Penso que sou livre. Não sou. A liberdade é o ideal que mais prezo. Não me é nada mais do que uma utopia.