terça-feira, 17 de outubro de 2006

Quem Espera, Sempre Alcança

Deparei-me, até há bem pouco tempo, com 3 almas na minha vida, que os meus olhos começaram a interpretar de uma outra forma. Não sabia, sequer, se me estariam a iluminar ou a fazer sombra, enegrecendo o meu coração.
Cheguei mesmo a partilhar esta visão equilátera com um confidente. Era uma situação que quase que dava vontade de rir... "três, hein...?" dizia ele. Eu corroborava, "pois, três...".
Era muito difícil optar entre uma e outra, tendo em conta que eram pessoas muito próximas e havia o risco/a penalização de me vir a arrepender de uma determinada confissão.
Apenas uma delas permanecia uma incógnita, mas apenas num estado físico. A sua perspectiva de vida era uma coisa que chamava (e chama) a atenção de muita gente que por aqui anda e que tem um cérebro não influenciado por narcóticos e sexualidade. Não pôr os outros de parte, depositar total confiança em pessoas que ainda mal conhece e sentir que aquele homem que até então permanecia escondido por detrás de uns bons pares de teclas eram as suas concepções de vida. Sempre lhe chamei concepções... Enfim, pensava. Esta maneira de reagir face à pior professora, a vida, é óptima!
Mas... há mais duas. Têm outro tipo de qualidades, não é? Sim, têm. De qualquer forma, esta alma acabou por ficar excluída devido à permanente atracção psicológica do meu confidente, o velho Veloso. Um homem que está lá sempre para ouvir os problemas dos outros, ainda que goste imenso de se fazer de Rocky e iniciar "street-fighting".
Bom, esse factor, então, foi crucial para a tal exclusão.
A grande decisão reflectir-se-ia, agora, só numa delas, embora acreditasse mais nas palavras duma do que da outra. Não sei, talvez fosse... a profundeza com que uma empregava as palavras, as atitudes que tomava... a outra empregava-as de uma maneira tão... quê? Fútil? Talvez. Mas hoje, sei que assim não é. Tenho quase a certeza. Há qualquer coisa nos seus olhos verde-esmeralda que me dizem "não! vai em frente! arrisca!".
Ainda relativamente à segunda alminha, a sua repentina aproximação a pender mais para o lado amoroso do que para o amistoso, fez-me pensar... A minha cabeça andou à roda vezes sem conta, a tentar descobrir se aquilo seria a sério.
Afinal, isso nunca esteve em causa. Era verdade, mas não da maneira que eu vi, ou melhor, quis ver. A profunda amizade mantinha-se, e não iria haver nada que me fizesse ultrapassá-la. Eu até podia perguntar... "quem sabe, se não é melhor assim?". Não vale a pena. Já sei que é assim que tem de ser, porque sinto que alguém, uma outra pessoa, irradia outro sentimento que está a querer ultrapassar a barreira dos "amigos fofos". As súbitas perguntas que confundem as mentes de toda e mais alguma pessoa apaixonada, como "gostas que te toque?" ou outras, contribuiram para toda esta renovação de sentimentos, ou melhor, ressentimentos, que já desde há muito preenchiam o coração de uma forma tão fútil e fugaz...
Sim, descobri o paraíso, tenho a certeza!
Nota: peço perdão aos habituais/fiéis leitores deste blog por, de repente, me voltar a intrometer pelo meio das histórias, desventuras e paixões do Ricky. A verdade é que, já em Abril, senti necessidade de me afastar um pouco desta zona, e espairecer. Acontece que deixei o blog durante um longo período de tempo, e senti saudades. Uns poderão dizer que é pelo permanente sucesso que o actual autor está a fazer em comentários, já outros... poderão dizer "bem-vindo a casa (de novo)". Espero que seja essa a razão mais apreciada por todos vós. Isolar-me, sozinho, num outro blog era coisa demasiado melancólica.
Regressei... e em força! Muito obrigado a todos aqueles que nunca deixaram de cá vir e que permanecem em frente ao monitor, babados de tanta palavra bonita que o meu caríssimo amigo foi cá marcando :) .

James M.

sábado, 7 de outubro de 2006

Aparição

Hoje o dia fugiu à regra! Abriu-se uma excepção na repetitiva rotina, que já há muito se apoderou de todos os meus dias! Mas hoje ela tremeu!
Estava eu a passear-me pela rua, acompanhado pelo nada e pelo tudo...sentindo a belíssima briza que me acariciava a cara...quando, para meu espanto, te julgo ver!
Ali está, um perfeito exemplar da mais perfeita espécie à face da terra! Ali estava, especada mirando as flores no parque, uma rapariga possuidora de um corpo belissimamente bem torneado; de cabelos escuros, pele clara e brilhante...com toda a certeza, sedosa ao toque e doce ao sabor! Ali estava ela, a provocar-me mostrando-me as suas fantásticas pernas...provocando-me enquanto esperava por qualquer coisa...não me interessava o quê! Dela emanava uma aura de perfeição e harmonia: sobre ela todos os elementos entravam em acordo, e as discussões eram dissipadas...de certo que seria a mulher mais bela deste mísero mundo!
E então, ali permaneci eu...observando a sua leveza enquanto ficava de costas voltadas para mim, mantendo-me na dúvida se eras mesmo tu, ou apenas uma fiel sósia! Observei, e comparei... Tinha quase a certeza que se tratava de ti! Pulei de alegria, por finalmente poder tocar-te...brincar-te...saborear-te...provocar-te...amar-te, sem qualquer barreira de distância ou de pudor!

Mas foi então, que este sonho terminou e a muito convincente enganadora mostrou a sua verdadeira face, e nem de longe serias tu! Tu tens uma face perfeita, linda, impávida e serena, mesmo sorrindo com todos os músculos da tua cara! Tu tens os traços faciais mais harmoniosos que eu alguma vez pus a minha vista em cima, e esta reles imitação fugia totalmente ao teu padrão máximo de beleza! E para além disso, ela sustia um sorriso falso, numa tentativa de encantar todo e qualquer homem que lhe passava ao lado! Apenas se tratava de uma fútil qualquer, que de sentimentos pouco percebia!
De ti não se tratava, e então o meu coração chorou...gritou de raiva por, mais uma vez, me terem feito pensar que o meu maior desejo se cumpriria! Finalmente, eu tornar-me-ia, de vez, o homem mais sortudo do mundo, pois teria o privilégio de encostar, de levezinho, a minha mão sobre a tua pele, e faria-a fazer uma viagem pelo teu corpo...e de alto abaixo te tocaria...sentiria-te como um corpo, como um ser...como um todo perfeito e carinhoso...e essa dança entre nós não cessaria tão rapidamente assim...a música neste caso seria um pequeno detalhe, pois no que eu estaria concentrado seria em te olhar!
Olhar-te-ia de alto a baixo, quase como numa tentativa de tirar imensas fotografias mentais, para nunca mais te esquecer naquele momento! Para sempre, quando não estivesse contigo, bastaria-me recordar daquele momento em que foste tu mesma: perfeita!
Recordar-te-ia com a maior imparcialidade que sou capaz de ter: nenhuma! Confesso que a minha visão poderá estar "adulterada" devido ao meu enorme sentimento por ti, mas isso pouco me importa! Se para outros homens não és o ser mais perfeito que alguma vez existiu, existe ou sequer existirá à face da terra...para mim dizer isto de ti será pouco!

Hoje apenas foste uma aparição...algum dia serás verdade!

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

De Novo...Pela Primeira Vez!

Gosto de pensar na minha forma de escrever como um pintor tem de pintar: colocar-se em frente à tela...olhar bem fixamente para ela, e esperar...esperar que a tela lhe diga de que cores quer ser pintada, que formas quer tomar e por onde quer viajar! Se quer ser alegre ou triste, melancólica ou romântica! Assim o faço: fico aqui a olhar para todas as letras no meu teclado...à espera de que elas me digam a ordem em que se querem pôr para te fascinar!
Fico espectante, até elas me dizerem de que forma se querem vestir para te impressionar; de que forma se querem agrupar apenas para te trazer um sorriso aos teus lábios, doces e sedosos!
E agora...fico aqui, especado a mirar o meu teclado, com raiva das teclas que nunca mais se organizam...e fico a perguntar-me: Porquê? Porque é que não falam comigo?
E apercebo-me agora porquê: Porque para elas te impressionarem com metáforas mirabulantes e com comparações divinais...para o fazerem seriam precisas novas palavras no dicionário para satisfazerem os meus caprichos perfeccionistas! Pois eu acredito que para descrever algo tão belo, apenas belas palavras, envoltas em belas metáforas servem!
Para falar de ti, seria necessário eu entrar na mente de cada um que me lê e ensinar-lhes a ver, ler, falar e pensar de formas diferentes! Seria necessário eu infiltrar-me na mente de todos e formatá-la, de uma forma totalmente limpa de maus pensamentos, de terror e de angústias; e inserir novos dados, apenas com felicidade e alegria à mistura! Pois é disto tudo que tu és feita: de alegria, felicidade e um sorriso imenso, seguido de uma voz doce...A mais doce...A mais...A...
É o que tu es...tu és "Aquela", pois nada nem ninguém se assemelha a ti, pois nada arranha a perfeição como tu o fazes, pois nada é tão belo, tão poético, tão harmonioso como tu, e como tudo o que te compõe; qual música divinalmente bem escrita e tocada e interpretada! Pois nada, nem ninguém, te substitui, já que és a mais única de todos nós; pois será fácil encaixar-nos numa "classe" ou "esteriótipo" mas a ti não... A tua classe pertence à das estrelas...a tua classe pertence à do sol...a tua classe pertence ao raiar do dia, ao acordar da noite...pertence à lua, enquanto se coloca ao lado do sol vespertino. A tua classe pertence à dos violinos afinados e todos muito bem entrelaçados num ritmo perfeito...entoando hinos de amor e paixão!
A ti apenas se assemelham o som proveniente dos dedos do melhor pianista do mundo, enquanto tocam, de levezinho, as teclas do melhor piano de todos...enquanto ele toca uma serenata à sua amada! Apenas se assemelha o som cortante e exasperante de uma guitarra, a gritar pelo seu amor perdido!
Apenas uma harpa, na sua total harmonia, consegue aproximar-se do teu nível de perfeição, e mesmo assim permenece entre vocês uma diferença do tamanho do buraco da camada do ozono!

Dou-me pelo homem mais feliz de todos, pois possuo um amor como o teu: melodioso; e como o mais infeliz de toda a espécie humana, por não poder partilhar contigo todo e qualquer momentinho de todo e qualquer segundo! Qualquer um no meu lugar choraria rios salgados de lágrimas desesperadas, por não se poderem reflectir nesse teu rosto encantado...mas eu não! Eu esboço um sorriso na minha face por saber que me amas! Enquanto escorre uma pequena lágrima, brilhando qual estrela, por te amar!

Cada suspiro que sai de mim, ja a rastejar de tão perdido de amores que está...cada um deles entoa uma melodia desesperada e angustiante, por contar cada minuto que faltará para te ver de novo...pela primeira vez! Mas por enquanto, contento-me com essa tua voz de anjo, com esse teu sorriso de fada, com esse teu olhar hipnotizante!

E qual tom romântico que acaba, suspiro eu, mais uma vez, de novo...pela primeira vez...enquanto escuto a nova melodia a chegar devagarinho...baixinho baixinho...enquanto vai crescendo na sua viagem dramática, ao outro universo e de volta...apenas para te poder trazer riquezas e beldades jamais vistas! De repente ouve-se um grito afinado, entoando o teu nome...O meu coração chora por ti...para te ver, de novo...pela primeira vez...

E aproveitando esta onda, digo-te eu...em plena voz e de pulmões cheios...que te amo...de novo...pela primeira vez! @

domingo, 1 de outubro de 2006

Voltaste!

Finalmente voltaste...depois de imensos e longos meses de separação, voltas para mim com um sorriso nos lábios! Sinto-te mais claramente do que alguma vez senti; tenho mais certezas do meu amor por ti do que alguma vez tive!
Por esta altura estamos a fazer um ano, um ano repleto de desavenças...repleto de sofrimento....repleto de amadurecimento...repleto de coisas novas e boas, mesmo sendo más!
Contigo cresci, cresci imenso sentimentalmente! Aprendi a não pensar...aprendi a parar de raciocinar, nem que seja por breves minutos, mas aprendi que, na maioria dos casos, é melhor sentir. É a melhor escolha a fazer, sentir.
Agora voltaste para mim, mais sorridente do que nunca...voltaste para mim com uma força enorme, uma força tal que no primeiro dia em que nos vimos, não consegui deixar de fitar o teu tecto de cortiça; não cessei de tocar o teu chão de madeira negra; de acariciar as tuas cortinas poeirentas.
Deu-me tamanho gozo pegar nas chaves e rodá-las para abrir o teu mundo...para reabrir o teu mundo! Adorei voltar a arrumar-te, voltar a arranjar espaço para te percorrer, voltar a abrir as tuas portas enormes, voltar a encantar-te com música e luz e até de tratar de algumas feridas que o tempo te fez!
Agora, mais do que nunca, sinto-nos como um só; pois quando me deito sobre ti, sinto o meu corpo a afundar na tua madeira, e deixa de ser madeira, e deixa de ser o meu corpo, para passar a ser uma substância nova, uma mistura de energia, romance e misticismo espectacular!
Mais do que tudo, adorei voltar a olhar, de pés bem assentes no teu palco, aquelas cadeiras todas, bem alinhadinhas, que esperam por mais pessoas! Adorei voltar a libertar-me deste mundo real..desta realidade suja e injusta, para perder-me novamente no teu mundo, criado apenas por nós, conforme o nosso estado de espírito!
Voltar a estar junto de ti é voltar a nascer, é rejuvenescer...é libertar-me novamente...é voltar poder a gritar o mais alto que consigo...é retornar a inserir-me no grupo mais unido do qual alguma vez fiz parte...é voltar a ver caras da minha outra família...

Ver-te de novo é voltar a ser eu. É rever-me a mim próprio!

1 ano de Grupo Antígona!

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Esperança Média De Vida = 25 Anos

Relato-vos a minha história a partir de um dos meus sítios favoritos da minha casa: um canto obscuro do meu quarto, que se trata de uma espécie de anexo ao nosso barracão. Para convencer o vizinho a ceder-nos um pouco de espaço foi o cargo dos diabos! Teve de ser a minha mãe a convencê-lo...numa noite foi ter com ele...e quando voltou, já de madrugada, ouvia a chorar na cama...
Vivo com a minha mãe, com o meu avô e com o meu padrasto...O meu pai, esse nunca o conheci. A minha mãe diz-me que morreu quando eu tinha menos de 1 ano...mas cá para mim, ele não quis saber e fugiu! Ele não gosta de mim! Já a minha mãe não, ela gosta muito de mim! Diz-mo todos os dias, tirando quando bebe demasiado...coisa que se está a tornar numa constante! Mas o meu avô diz que ela há-de parar de beber, um dia destes...quer dizer...não diz...ele já não fala há um bom tempo, mas quando lhe pergunto "A mãe vai ficar bem não vai?", ele acena sempre a cabeça, enquanto continua a olhar fixamente para o vazio...E sempre ouvi dizer que os mais velhos têm sempre razão!
Eu vivo num desses sítios a que as pessoas chamam de "guetos"...moro num bairro social...construído com lata, chapa e madeira podre...O meu nome não interessa...tratem-me por "Fininho"...Toda a gente me trata assim porque sou muito magro e franzino.
Desengane-se quem pensa que não tenho amigos! Tenho sim...não os posso chamar de "bons amigos", mas são os amigos que Deus me deu, e por isso sou muito grato a eles.
Mas eu tinha três bons amigos! Formávamos um grupo e pêras! Metíamo-nos em tantas aventuras, assim como em sarilhos! Mas encobríamo-nos sempre uns aos outros, e se um fosse apanhado, os outros três confessavam a cumplicidade não existente! Que amigos que eles eram...nunca mais me vou esquecer daquela vez em que estava a passar por uma pastelaria e vi na montra uns bolos com um aspecto divinal! Até comentei com eles de que nunca comeria um bolo daqueles...e foi então que o Chico fez-nos entrar lá e, enquanto ele distraia os empregados com questões da vida como "Onde posso comprar um preservativo? Que tamanhos e sabores é que há?", e coisas do género; o Anderson fazia malabarismos com uma bola feita de meias, e eu e o Pitosga (que tinha essa alcunha porque era cego de um olho) fomos roubar os bolos! Lembro-me que nunca comi tão bem como nessa tarde!
Mas...infelizmente, numa tarde chuvosa foram os três mortos a tiro, enquanto tentavam ganhar uns trocos...Estavam a vender droga aqui no bairro e a polícia decidiu fazer uma rusga nesse mesmo dia...e o Chico, que tinha uma arma, começou a disparar nos polícias e eles ripostaram...mas com melhor pontaria...Mas pelo menos eles conseguiram o sonho deles: morrerem juntos...eu também partilhava esse desejo...mas, infelizmente, estava com febre nesse dia e a minha mãe trancou-me a porta do quarto com uma cadeira encostada à mesma, para eu não ir para a rua!
Por mais incrível que me tenha parecido, nesse dia não chorei...apenas sentei-me ao lado do meu avô...enquanto o acompanhava a olhar para o "nada"...a olhar para a minha vida e a pensar que, se calhar, teria sido melhor eu ter morrido com eles! Sempre ouvi dizer que as crianças não vão para o inferno...e eu, com 11 anos, ainda sou uma criança (como insiste a minha mãe); e não me pareça que em adulto consiga ir para o Céu...
Não é que eu queira ser traficante...mas que outras hipóteses me restam? Que mais posso eu fazer, apenas com o 4º ano e com toda esta "sabedoria de rua"? Quem mais posso eu ser, senão um marginalzinho qualquer?
Olho para o meu avô e penso para mim mesmo que eu sou mais sortudo do que ele...apenas pelo simples facto de que é muito difícil chegar à idade dele, para mim...de certeza que serei morto a tiro, ou morrerei de uma outra forma qualquer muito mais cedo!
O mais irónico é que não me preocupo com isso...já me esqueci da primeira vez que me apontaram uma arma à cara...e, durante a noite, já há muito tempo que não acordo ao ouvir disparos...apenas penso para mim mesmo: "Mais uma pobre alma, um pobre 'Zé-Ninguém' que acaba de partir desta realidade cruel...Quando terei eu a sorte dele?"


(Texto fictício)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

O Texto

Já me pediram, umas quantas vezes; num acto um pouco comodista e preguiçoso; que eu descreve-se a minha escrita...a minha resposta é, com certeza, a que vocês acabaram de pensar: "Aqui tens o link, vai ler!"
Mas tanto que me pediram que agora apetece-me descrever a forma como um dia gostaria de escrever um texto!
Tinha de começar com muitas reticências...com um ritmo muito calmo...como uma brisa na Primavera enquanto estamos deitados no meio de um prado verdejante...tudo muito parado...com muitas descrições visuais...para que o leitor pudesse visualizar tudo...muito...calmamente!
Provavelmente este começo daria-se com o acordar da personagem em questão...eu descreveria o acordar...o bocejar, o levantar e todos os outros movimentos já mecanizados no dia-a-dia.
Daria o valor devido ao sol radiante que a personagem deslumbrava fora da janela...ao céu enorme e imensamente azul e ao canto dos poucos pássaros que por ali andariam a vaguear, por entre beijos primaveris e árvores milenares.
Mas o humor da personagem não seria do melhor! Ela, ou ele, estaria zangada com alguma coisa...algo que se passava na sua vida e da qual ela não gostava. Ela odiava o rumo que a vida dela estaria a levar. Provavelmente teria algo haver com a teimosa rotina que não quereria ceder nalguns pontos!
E depois o ritmo da leitura começaria a aumentar, as reticências davam lugar às vírgulas. A personagem cada vez mais iria usar comparações "negras", quais trevas que quereriam dominar o texto. A cada frase que passava, mais e mais se podia notar que a personagem em causa já chegava ao ponto de gritar!
As vírgulas agora dariam lugar à ausência das mesmas e a personagem apenas gritaria sem qualquer interrupção ou cuido pelas regras de construção de frases! Cada vez mais os pontos de exclamação dominariam o tom de voz e o leitor já começaria a franzir as sobrancelhas pensando que algo de muito mal se passava com a personagem!
Os dentes dela já rangiam e nada estava no seu sítio pois ela tinha revirado tudo do avesso! Vidros partidos, papéis no chão, e o total caos urbano agora dominavam o cenário!
Tudo apenas iria piorar a cada mórbida palavra que passava imensamente rápido, como se tivesse medo de perder o barco para o purgatório! Os meus dedos já escreveriam com tanta força que encravariam algumas teclas! Quem me visse a escrever, neste momento, pensaria que eu não passaria mais do que um louco, doido enrraivecido, e quem lesse já consideraria em fechar a página! Tudo apenas piorava e piorava até atingir o autêntico clímax do texto!!...e aí tudo voltava a acalmar...
Tinha-se dado uma autêntica inspiração, seguida, neste momento, de uma expiração muito calma e demorada. Tratava-se exactamente do dobro da inspiração.
Agora a personagem daria-se conta de que o que se passa não é assim tão mau...e existe uma solução para tudo...basta usar a cabeça...com calma...e ter esperança!
Agora, o texto pareceria mais normal ao leitor, havendo vírgulas devidamente colocadas e a pontuação que existisse apenas exprimiria positivismo. Tudo estava calmo e, novamente, os pássaros cantavam no lado de fora deta bonança imensa!
E no fim apenas haveria lugar para uma breve conclusão...onde as reticências tudo dissessem...sem nada dizerem...

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Eu, Em 6 Pontos

Peço desculpa pela falta de textos, mas foi-me difícil ultrapassar o último. Pode-se dizer que, pela primeira vez, encontrei um obstáculo mental, um bloqueio até, que quase me impediu de continuar a escrever aqui. Até pensei em mudar de blog!
Mas, como prometi a alguém que nunca abandonaria este cantinho, vou voltar a escrever agora, graças à minha querida tia que me desafiou a falar sobre mim em 6 "items", e com isso deu-me tema!

1 - Sou perfeccionista para comigo mesmo, e isto aplica-se a tudo o que eu faço; seja teatro, escrita, desporto ou outra coisa qualquer que eu produza, raramente chego a gostar e repito a mesma coisa dezenas de vezes até sair, mais ou menos, como quero. De todos os textos que já escrevi apenas gostei de três, só para vocês terem uma ideia! E, adjacente a esta minha elevada "auto-exigência", quando trabalho com outras pessoas também exijo o melhor delas. Porque não vale a pena fazermos algo sem darmos tudo de nós...se apenas nos esforçarmos a metade da nossa capacidade nunca que sairá nada de jeito! Por isso, compreendo que às vezes colegas de trabalho meus se stressem comigo um pouco, mas é esta a minha filosofia de vida!

2 - Estou sempre bem e a sorrir, aconteça o que acontecer! Percebo que "vida só há uma"; então para quê passarmos por ela com as sobrancelhas franzidas? Prefiro vivê-la de sorriso na boca! Além disso são precisos mais músculos para franzir as sobrancelhas do que para sorrir! E uma boa gargalhada é um óptimo exercício já que nos exercita não só os músculos da cara, eliminando rugas na testa, como ao rirmos a bom rir é como se fizéssemos uns 10 abdominais!

3 - Sou fascinado pelos fenómenos da sociedade, como política, religião, racismo e, principalmente, as atitudes da adolescência! Talvez porque esteja a passar pela mesma. Mas adoro observar isto tudo e para o fazer prefiro fazê-lo dum ângulo "de fora", ou seja, não sou religioso, não tenho partido e, obviamente (já que possuo inteligência), não sou racista! Apenas gosto de observar estas atitudes e tentar compreendê-las de todos os pontos de vista possíveis e criar uma opinião sobre tudo. (pancas...)

4 - Adoro debates! Adoro discussão de ideias e de opiniões! Na escola, quando os fazemos, eu, literalmente, nunca me calo e, entusiasmo-me tanto, que quando a 'stora' decide continuar para o próximo tema ainda estou eu a ter uma epifânia sobre o tema anterior!

5 - Defendo os meus amigos com unhas e dentes! A amizade para mim é tão importante na minha vida como água, e sem eles eu não sei onde estaria agora. Felizmente, tenho imensos bons amigos. Mesmo bons, em quem posso confiar de olhos fechados e de coração aberto. Amigos com os quais já partilhei experiências de vida que nunca esquecerei, e amigos tão importantes para mim que falarei deles aos meus filhos e aos meus netos!

6 - Neste último ponto surgiram-me dezenas de ideias que me imploraram para que eu as pusesse aqui...Mas vou pôr a forma como eu me entendo a mim mesmo:

Entendo-me como uma pessoa um pouco confusa...que exige tanto de si próprio que às vezes torna-se estupidificante, tanta procura pela perfeição, já que ela não existe neste mundo por onde vagueamos!
Entendo-me como uma pessoa apaixonada pela vida, de uma forma intensa, e por isso quero aproveitá-la ao segundo!
Entendo-me como alguém que sabe o que quer, e que valoriza o que já tem mas ainda busca o que quer ter! E essa busca é feita com toda a intensidade que lhe consigo empregar, já que fujo daquilo a que chamo "vidinha"! Tento a todos os custos escapar dessa ideia errada que se pode viver sem arriscar em nada! Isso não é viver, isso é "existir"!
Entendo-me como uma pessoa educada, e sobretudo observadora! Consigo perceber imensas coisas sobre a personalidade de alguém pelo seu olhar; olhando essa pessoa directamente nos olhos, consigo perceber bastantes coisas!
E por fim entendo-me como alguém que é como é, bom ou mau, graças à família! Por isso dou o valor que dou à minha! Se não fosse por ela eu seria de uma forma diferente e , muito sinceramente, gosto da forma como sou e se me perguntarem se eu mudaria algo em mim eu responderei que não, não por vaidade, mas apenas porque...habituei-me aos meus defeitos e aprecio as qualidades que, felizmente possuo!

Bónus:

7 - Odeio falar de mim mesmo!


E agora está na altura de fazer vítimas! Os meus reféns serão: Tiago (a.k.a James, a.k.a Cláudio Pergaminho) do http://umseradois.blogspot.com/; Afonsinetes, do http://pisaropalco.blogs.sapo.pt/ e http://otherplaceofmind.blogs.sapo.pt/ e Catarina do http://acredite-comigo.blogspot.com/. Se quiserem enviem por mail para o ricky_ricardo_f@hotmail.com