Domingo, 25 de Abril de 2010

Toca a Ser Livre

74 Foi no dia vinte e cinco de Abril
Que lançámos um suspiro de alívio
Depois de tantas guerras, águas mil,
Geradas por um ambiente ínvio.
Nós, como pássaros, livres voámos
E pois na união nos inspirámos
Com uma intenção descomunal
De uma vez mais cumprir-se Portugal!

75 De Norte a Sul cantámos numa só voz,
Demos as mãos e marchámos sem par
P’la vila morena de todos nós
Como se no mar fôssemos navegar,
Mar esse que conhecemos tão bem,
Mas muito melhor do que mais ninguém,
E que foi causa da nossa junção
P’ra juntos seguirmos de mão em mão.

76 Os cavalos ao vento relinchavam,
Corriam a toda a velocidade,
Suas belas crinas esvoaçavam,
Estavam só no fulgor da idade.
Os seus cavaleiros iam inchados
No peito, p’la liberdade combinados,
Recuperando o espírito de herói
Que fica e a Lua não destrói.

77 Os Capitães são seguros de si,
E eles sabem que conseguirão
Dar-nos nova vida a mim e a ti,
Pois muito bravos homens eles são.
São pois os novos heróis nacionais
Que dão à repressão destinos fatais.
Esta batalha sim, valeu a pena,
Fez florescer pétalas de açucena.

78 De vermelho sangue não foi tingida,
Porque só aos cravos coube essa cor,
Uma flor de liberdade garrida,
Pela Paz, pela Pátria e p’lo Amor.
Sossegados marcharam os soldados,
Só de esperança e cravos armados,
Já prontos a transformar em cacos
Os que haviam oprimido os mais fracos.

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